Estratégias para maior segurança dos caminhões nas estradas.

Dirigir um caminhão pesado com segurança nas estradas vai muito além de tomar os devidos cuidados ao volante. A inegável – e bem-vinda – injeção de tecnologia nos “grandalhões” vendidos no Brasil demanda conhecimento apurado e especialização de quem estiver no comando da máquina, para que tudo funcione a contento. Além disso, a operação requer cuidados especiais, já que também tratam-se de conjuntos que facilmente ultrapassam a casa dos milhões de reais em investimento. Para ensinar motoristas e empresários a lidarem corretamente com seus caminhões, alguns fabricantes investem em centros de treinamento focados em formar profissionais habilitados a extraírem a máxima eficiência dos produtos da fabricante. Uma dessas iniciativas foi apresentada através do seminário “Soluções para segurança nas estradas”, oferecido pela Mercedes-Benz a um grupo de jornalistas especializados nas instalações da marca em Campinas, interior de São Paulo.
Trata-se de uma cadeia complexa, composta por vários fatores que contribuem para rodovias mais seguras. A tecnologia empregada – quando usada corretamente – ajuda a diminuir o estresse de motoristas que passam boa parte de suas vidas nas estradas. Motoristas menos cansados, por sua vez, são mais capazes de lidar com situações extremas e evitar possíveis acidentes. “Além de oferecer ao mercado produtos de avançada tecnologia, a Mercedes-Benz tem também o compromisso com a formação dos motoristas, contribuindo para que eles aproveitem todo o potencial de seus veículos no dia-a-dia de trabalho e ainda possam contribuir para o aumento da segurança nas estradas”, afirma Eustaquio Sirolli, gerente sênior de Treinamento de Vendas e Pós-Venda da Mercedes-Benz do Brasil. Itens relativamente comuns em alguns carros de luxo, como controle de cruzeiro adaptativo, já são realidade entre os caminhões topo de linha e alertam o caminhoneiro da proximidade em relação ao veículo da frente. Até freiam o caminhão, caso nenhuma providência seja tomada.
Mas não só a tecnologia avançada é responsável por tornar as estradas mais seguras. Ciclos de manutenção correta, com atenção a sistemas básicos como freios, hidráulica e pneus já melhoram em muito a situação. “Cada eixo deve ter seu papel na frenagem, para que o caminhão pare de forma equilibrada”, explica Edgar Busato, instrutor de treinamento de pós-vendas da Mercedes-Benz. Uma simples configuração no sistema de frenagem, para antecipar o envio de ar comprimido do sistema de freios para as últimas rodas do conjunto, muda bastante o comportamento de um caminhão, que passa a parar de forma mais eficiente e controlada. A Mercedes estima que 40% da frota circulante possui esses dispositivos, mas não são usados por puro desconhecimento do motorista até sobre a existência deles. Isso é determinante na redução dos espaços de frenagem. O que pode significar a diferença entre bater ou não.
Aos poucos, os antiquados freios a tambor estão sendo substituídos por discos, mais eficientes e modernos – mas ainda mais caros –, acompanhados de ABS, controles de estabilidade, tração e até o badalado “hill holder”, que ajuda nas arrancadas em subidas, sempre difíceis quando se leva mais de 50 toneladas “nas costas”. “Se pelo menos o cavalo-mecânico já tiver freios a disco, todo o conjunto já se torna mais eficiente, exigindo distâncias menores de parada”, afirma Josué Correia, gerente de produto da Noma, fabricante de implementos rodoviários.
A Mercedes-Benz possui três centros de treinamento próprios no Brasil, em Campinas, Recife e Porto Alegre, onde são ministrados os cursos para certificação da rede, motoristas e frotistas. Além deles, outros sete centros homologados – que funcionam em concessionárias da Mercedes – oferecem a mesma formação. Ainda há uma parceria com o Senai, que oferece seis centros de ensino em São Paulo, Amazonas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No Senai, a Mercedes ainda insere módulos específicos sobre os caminhões da marca em cursos maiores sobre mecânica de veículos pesados. Ao que tudo indica, o caminho para estradas mais seguras não está só no avanço da tecnologia. Será preciso investir também no “equipamento” que está entre o banco e o volante.

via Autopress

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